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A agricultura e a manufatura
foram essenciais para a subsistência humana durante séculos, as manufaturas
foram dependentes das habilidades humana ou da força animal, trabalhos
propriamente artesanais e rurais. O trabalho gerado a partir do uso da terra
sempre foi a principal atividade econômica desde a antiguidade até a sociedade
contemporânea, e a partir Revolução Industrial, as manufaturas desenvolveram
sua produção com os produtos oriundos da terra. A revolução significou um
grande processo de transformações sociais e econômicas na Inglaterra durante o
século XVIII. Em período de transição do mercantilismo para o capitalismo, o
sistema de trabalho e comercialização fragmentou-se, surgindo uma nova forma de
se pensar a economia e suas práticas. Desde o mundo antigo acreditava-se que a
ideia de riqueza de uma nação era medida pela quantidade de ouro, prata e
outros metais acumulados, onde muitos destes, foram trazidos de colonizações,
ocorridas principalmente nas Américas, e sobre conquistas territoriais e
marítimas. A Inglaterra teve um grande crescimento econômico durante o período
de exploração colonial e acumulação de reservas de ouro, e esse fato foi
fundamental para que ela se torna-se pioneira na industrialização e produção em
massa.
O governo britânico via suas
colônias apenas como uma fonte de matérias-primas para alimentar o seu processo
de expansão industrial, já que a monarquia passou a ser parlamentar
constitucionalista, ou seja, a burguesia começou a ter poderes políticos, e
através disso, começaram a intervir mais nas colônias afim de buscar ampliar os
poderes econômicos ingleses. O continente europeu enriqueceu muito devido às
explorações em colônias, e também teve uma queda econômica com as guerras
revolucionárias e emancipação de algumas colônias. A mudança econômica na
Inglaterra teve como consequência o surgimento da moeda nas relações de
mobilidade de venda e consumo, os indivíduos deveriam possuir um poder de troca
em equilíbrio com a quantidade de riqueza ou valor produzido, e esse valor,
deveria ser aceito popularmente, afim de que não houvesse exploração em cima do
consumidor final. A moeda tornou-se um facilitador para os negócios entre
produtores e consumidores, e o poder de troca é convertido na moeda,
facilitando as relações entre ambos. O sistema capitalista expandiu através da
adesão de uma moeda como forma de poder de troca, e aumentando a lei de
“oferta” e “demanda”, que irá ganhar forma com o processo de industrialização
que crescia no país.
A intensificação da
industrialização em massa, facilitou as rotas comerciais que a Inglaterra
possuía com a Europa e as suas colônias, com a expansão das ferrovias e
máquinas a vapor, foi possível que mais minas de carvão fossem exploradas e a
produção do aço crescesse em alta escala pela demanda mundial do aço. Com esse
aumento da produção do ferro e aço, levou a população inglesa a um grande êxodo
rural, deixando os trabalhos no campo, para uma futura “boa vida” na cidade
industrializada. Um dos fatores êxodo rural em massa, foi a grande queda da
produção têxtil, onde os trabalhos artesanais nas casas foram substituídos
pelas grandes máquinas que produziam em larga escala os mesmos trabalhos
exercidos pelos camponeses no campo. As máquinas necessitavam de mão-de-obra
qualificada para a execução do seu uso, e muitos dos que migraram para a
cidade, não se adaptaram ao novo estilo e ritmo de trabalho e qualificação para
exercer tais atividades. A existência de portos e construções de estradas e
ferrovias, expandiram os comércios na Inglaterra, facilitando os negócios e a
vinda de turistas ao país. Hobsbawm rejeita as explicações de que a revolução
foi um “acidente histórico”. O crescimento populacional nos grandes centros,
talvez explique o aumento de consumo na Inglaterra durante esse período,
fazendo com que a economia local girasse, e por mais que o pioneirismo
industrial seja um forte, o comércio ainda era um dos grandes negócios para
época, criando clientes cada vez mais exigentes com os bens consumidos.
Adam Smith tenta relacionar
como essas mudanças estruturais ocorridas anteriormente, afetaram os meios de
produção e a produtividade durante o século XVIII. Para ele, tais mudanças se
moldam a partir das divisões de trabalho. Ele exemplifica que apenas uma pessoa
produzindo qualquer produto possuiria um rendimento muito inferior comparado ao
trabalho dividido entre muitas pessoas. Smith traz a comparação de uma pessoa
que produz um sapato em três dias, em relação à muitas pessoas, ao qual cada
uma é responsável pela produção de uma parte do produto, assim poderiam
produzir mais sapatos e em um menor tempo, e essa era uma clara concepção de
organização e divisão de trabalho. A partir dessas divisões trabalhistas,
nasceriam as primeiras fábricas de grandes produções em massa, onde as divisões
de funções tornam-se mais organizadas e eficientes em comparação a concentração
de vários processos de produção sobre um indivíduo.
Segundo Adam Smith, quanto maior
for o mercado, maior será a especialização do indivíduo na produção em
determinada função e produto. Com a Revolução Industrial em andamento, a
qualificação da mão-de-obra se tornou um requisito cada vez mais exigido para o
ingresso a indústria, levando o trabalhador a aperfeiçoar sua qualificação em
determinada função. As tecnologias das máquinas avançavam de acordo com as
exigências de demanda do mercado interno e externo, e para que essas demandas
fossem supridas, as fábricas contratavam cada vez mais e aumentavam o número de
máquinas. O mais importante no crescimento econômico de uma nação é a divisão
de trabalho, que por consequente leva a acumulação de capital. Muitos
abandonaram o campo e foram para as cidades em busca de oportunidades de
trabalho na indústria, entretanto, nem todos possuíam qualificação para
operarem tais máquinas, e quando a oportunidade de trabalho nas máquinas surgia,
alguns trabalhadores não se adaptavam ao sistema de operação fabril.
Marx constrói uma crítica negativa
ao desenvolvimento capitalista industrial, e os dados apresentados, também
poderia reafirmar suas teses sobre a grande aceleração do consumo e mão de obra
explorada. Diferente de Smith, Marx ironiza a forma como o desenvolvimento
econômico ocorreu, para ele a mão-de-obra estava se tornando praticamente
escrava, onde a produção em massa crescia deliberadamente de acordo com a
demanda. E percebesse que os dados citados, e as histórias das colonizações e
industrializações, demonstram claramente a apropriação do trabalho, e sua
especialização foi só uma forma de manter uma exploração servil, onde o
trabalhador precisava agora, largar o campo e ir as fábricas, pois o campo
havia-lhe sido retirado. Com o aumento da produção, o trabalhador é levado a
também consumir aquilo que produz, não tendo acesso de acordo com a demanda que
o próprio produz, onde o capital fica em grande parte com o patrão que pouco
lhe dá para consumir o próprio produto produzido.
Para Eric Hobsbawm, a melhoria
salarial estava concentrada em uma pequena parte da população, devido as
especializações de mão-de-obra nas maquinas mais avançadas das fábricas. O
trabalhador saiu de seu trabalho tradicional e teve de se adaptar à nova
realidade industrial, porém, poucos eram especializados para as novas funções
de oficio, e a Inglaterra era propriamente um país lojista como descreve
Hobsbawm, onde os comércios de produtos manufaturados eram em grande escala,
com produtos têxteis, tabaco e de consumo alimentício. Os ingleses não tinham
fama de produtores, mas de importadores, em que maioria dos produtos importados
vieram de suas colônias, e esses comerciantes vendiam os produtos em grande
maioria para fora. As produções antes da revolução eram praticadas dentro das
casas, onde as famílias ali teciam o algodão. O liberalismo foi responsável
pela centralização comercial da Grã-Bretanha diante do mundo, sendo referência
de industrialização, um processo radical, pioneiro e inovador, levando ao ápice
do desenvolvimento econômico. Mas uma economia partindo de iniciativas privadas
eram pouco inovadoras em relação as produções, a não ser que houvesse uma
necessidade e expectativas de lucros maiores.
David Landes trabalhou essas
ideais, trazendo a revolução como uma grande transformação para o desenvolvimento
econômico, e o impacto foi considerado como positivo para o enriquecimento da
Grã-Bretanha. As forças produtivas das fábricas tinham que sufocar os
tradicionais trabalhos domésticos, forçando a todos no território a se
modernizarem e acompanharem o ritmo produtivo das indústrias. Ele defende que a
revolução transformou diversos países mesmo sendo de forma desigual, porém, ele
aponta que o desejo por riquezas individuais e coletiva, levam ao sucesso da
prosperidade e progresso econômico, onde sua população passa a consumir mais
produtos manufaturados e assim aumentando os custos de vida e as variadas
formas de consumo, sendo o chá e o café um dos produtos mais importados. Nisso,
Adam Smith irá defender que os indivíduos agem em detrimento de seus interesses
pessoais, e assim “agem de forma egoísta”, e esse estímulo de consumo são guiadas
por uma “mão invisível” do mercado, utilizando suas leis da “oferta e demanda”,
e através do mercado que se é possível gerar o bem estar e equilíbrio em uma sociedade.
Entretanto, Hobsbawm irá dizer
que o surgimento das indústrias fez com que o salário dos trabalhadores
diminuísse drasticamente, e que as oportunidades de empregos nas fábricas
seriam uma ilusão de garantias de prosperidade. Os operários eram obrigados a
exercer uma carga horária exaustiva nas fábricas, além das desigualdades
salariais entre homens, mulheres e crianças. O baixo salário e a exploração da
mão-de-obra quase escrava, trouxe uma maior desigualdade social na Inglaterra,
onde a ideia de grande consumo da classe trabalhadora era fictícia, somente a
burguesia conseguia manter uma grande movimentação financeira e poderio de
consumo. As fábricas pouco ofereciam seguranças aos operários, e o número de
acidentes eram altos, muitos desses acidentes ocasionavam com a perda de algum
membro do corpo ou deformação. Era comum muitos funcionários irem trabalhar
mesmo doentes, porque sabiam que poderiam ser demitidos em caso de ausência no
serviço, e nessa demissão, o trabalhador não possuía nenhum direito
trabalhista.
- Smith, Adam. A riqueza das nações: Investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultural, Coleção “Os Economistas”, 1996.
- HOBSBAWM, Eric. As revoluções. In: A Era das Revoluções: Europa – 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2009.
- HOBSBAWM, Eric. Da Revolução Industrial ao Imperialismo. Rio de Janeiro: Forense Universitário, 2013.
- MARX, Karl. O Capital - Livro I – crítica da economia política: O processo de produção do capital. Tradução Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2013.
- LANDES, David. A riqueza e a pobreza das nações: uma história de migração e conquistas, da Grécia até a atualidade. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
- LANDES, David S. Prometeu Acorrentado: Transformação tecnológica e desenvolvimento industrial na Europa ocidental, de 1750 até os dias de hoje. Rio de Janeiro: Campus, 2005.
