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Com a chegada dos portugueses ao território brasileiro, começa-se a intensificação de exploração das riquezas das terras, principalmente com a extração do pau-brasil, que não foi uma atividade duradoura, já que o comercio de especiarias era mais lucrativo do que a madeira em si. Com as expedições pela colônia, os portugueses começaram a estudar a geografia do território, mapeando cada parte das terras pertencentes a Coroa portuguesa. Nessas expedições, muitos se desbravaram por dentro da colônia, porém, com a invasão francesa no litoral, os portugueses tiveram a necessidade de estabelecer um povoamento no Brasil, como uma forma de proteção a suas terras, principalmente nas costas litorâneas, onde se estabeleceria a produção de cana-de-açúcar para se manter uma economia local.
Mesmo com o sistema de povoamento na colônia, os portugueses não deixaram de explorar as terras, porque acreditavam ter muitas riquezas a serem extraídas dela. Entretanto, levavam em suas expedições líderes religiosos, que rezariam e celebrariam missas para que pudessem se sentirem protegidos e salvos, visto que ao mesmo tempo, dizimavam os povos indígenas e destruíam a selva. Nessas expedições, chegaram os primeiros jesuítas a colônia, entre esses o padre Manoel da Nóbrega, que era responsável de pregar ao governador Tomé de Souza e seus homens, o padre Azpicuelta Navarro, que pregaria aos homens da terra, o Irmão Vicente Rodrigues seria responsável em ensinar as crianças as doutrinas católicas e a ler e escrever, e o padre José de Anchieta. Estes homens pertenciam a Companhia de Jesus que foi fundada por Ignácio de Loyola, que era um grande defensor da fé católica e lutava contra a expansão da Reforma Protestante que avançava em
grande escala pela Europa. Preocupado com esse avanço, o Papa reconhece a Ordem Jesuítica como uma forma de frear os avanços do protestantismo, evitando perder mais fiéis para o luteranismo.
A Companhia de Jesus tinha o objetivo de pregar o cristianismo católico pelo mundo, e através das expedições marítimas, eles viajavam em busca de catequizar os povos não cristãos ou povos “não evoluídos” na visão dos Europeus. A missão jesuíta no Brasil teve várias funções além de pregar a mensagem católica, os jesuítas foram os primeiros professores da colônia, e organizavam os povos indígenas em funções de trabalhos que lhes eram incumbidos. A educação era fundamental para que os jesuítas conseguissem inserir na população os ideais da Igreja, e através dela se foi possível ensinar as doutrinas religiosas. Para que a Companhia de Jesus conseguisse ter sucesso em seus objetivos, foram criadas escolas pela colônia, e essas escolas geralmente eram construídas ao lado das Igrejas, onde se poderiam intercalar os ensinos escolares e as funções no templo. A rápida aprendizagem da língua indígena pelos jesuítas, facilitou a conexão entre eles e os índios, e a partir do conhecimento dessa nova língua, criaram livros de gramáticas, e até apresentações teatrais que traziam valores cristãos e propagavam a cultura portuguesa aos nativos da colônia, principalmente pelas crianças indígenas que cresceriam já acostumados com as novas tradições ensinadas.
Nessas escolas, os indígenas aprendiam uma nova cultura, uma nova língua, um novo deus, ou seja, lhes foram impostos uma desconstrução cultural própria e inseriram uma nova forma de vida. Houve também o ensinamento entre o que era “mal” e “bem”, e a partir dos ensinamentos da Companhia de Jesus, lhe foram concedidos uma redenção ao “bem” pelos seus tempos de ignorância nas práticas do “mal”. Essas praticas que seriam consideradas do “mal”, estavam a nudez, canibalismo de alguns grupos indígenas e adoração a outros deuses. As modificações de suas formas de vida não ficaram somente em questões religiosas, também lhes foram submetidas rotinas de trabalho, que futuramente atrairia os olhos mercenários e mercantis dos bandeirantes, que os venderiam como mão-de-obra escrava, já que os indígenas eram conhecedores das terras.
A implementação da Ratio Studiorum como modelo educacional nos colégios jesuítas, fez com que esses colégios tivessem um sistema padronizado de ensino em todos os lugares do Brasil. Nesse modelo de instrução, havia métodos que o professor deveria aplicar para que se mante-se a ordem, entre esses métodos tinha premiações e até punições e castigos. Depois que o aluno aprendesse a ler e escrever, lhes eram ensinados Filosofia, Teologia, e Ciências Sagradas e outras disciplinas. A organização da Ratio Studiorum nos colégios preservava a ordem e a disciplina acima de tudo, eram quase colégio militares, e os alunos não poderiam questionar os ensinamentos, mas deveriam decorar tudo que lhes eram ensinados, para que depois o professor os interrogasse sobre o conteúdo ensinado, e o aluno deveria repetir tudo o conteúdo transmitido pelo professor. Os jesuítas entendiam que a repetição dos conteúdos, era a forma mais eficiente de ensino, porque o aluno iria reter tudo que lhe fora ensinado, não tendo espaço para questionamentos. Havia uma valorização sobre o sistema de hierarquia no poder dos colégios, e essa forma hierárquica deveria ser cumprida rigidamente, sem espaço para motins nesse sistema.
Essa rigidez de ensino, facilitou a doutrinação católica sobre os alunos, visto que a maior prioridade dos jesuítas era a transmissão dos dogmas da Igreja Católica. Os jesuítas não só ensinaram os filhos dos índios a ler e escrever, mas também os filhos dos colonos, já que os jesuítas da Companhia de Jesus eram em maioria professores da colônia, todos os buscavam afim de colocarem os filhos nos colégios. Existiam outros educadores na colônia além dos jesuítas, muitos vinham das universidades de Portugal e prestavam serviços de ensino nas casas dos alunos, porém, os colégios da Companhia de Jesus dominavam o ensino na colônia. Só que havia uma divisão na forma de educação entre os filhos de indígenas e os filhos dos colonos, onde a educação para o indígena estava focada no ensino da fé e para o trabalho, e para os colonos, a educação estava voltada para um aperfeiçoamento da escrita e de um progresso da educação básica à superior. Os jesuítas tinham o objetivo somente de catequizar e ensinar no primeiro momento, até perceberem uma forma de lucrarem com a educação de colonos, portanto a Ratio Studiorum surgiu para que se pudesse padronizar esse ensino nos colégios, mas mantendo a educação religiosa como prioridade em seu sistema.
A educação feminina era diferente em comparação aos dos homens, muitas mulheres só aprendiam a ler e escrever quando eram enviadas aos conventos de Portugal, e muitas dessas mulheres pertenciam a famílias de elites locais, que possuíam condições de custear o envio das filhas aos conventos do Reino. As meninas que não tinham condições de irem ao convento estudar, eram submetidas a uma educação do lar, onde aprendiam a ter boas maneiras, costurar e fazer outras prendas domésticas. A educação no Brasil tinha uma base aristocrata, e excluía analfabetos, mulheres, pobres e os negros, o acesso a aprendizagem era quase restrita, muitos dos que conseguiam estudar nos colégios não prosseguiam ao ensino superior. Os alunos não podiam questionar os professores e seus métodos, nem mesmo a situação estrutural ao qual a colônia estava submetida poderia ser questionada, e esses alunos recebiam uma visão de civilização europeia, mas viviam uma realidade totalmente distinta.
O ensino jesuítico estava se tornando totalmente elitizado, e os colégios formariam a futura elite colonial que teria em sua base uma extrema formalidade de concepção do Brasil, os índios estavam sendo somente catequizados, não havia mais uma prioridade de ensinar o indígena questões além da religião ou cultura europeia. A educação passou a ser uma forma de se arrecadar lucros, porque quanto mais colégios surgiam, mais crescia o poderio econômico dos padres, assim poderiam influenciar os senhores de engenho em suas decisões políticas na colônia e aumentando seus poderes de influência sobre a colônia. A companhia de Jesus já não estava mais voltada somente a catequese, mas se firmava como uma rede de influência política, aumentando o número de padres na colônia e até dando prioridade ao uso de outras línguas como o latim. Os jesuítas não só tinham um grande apoio financeiro da Igreja, mas também utilizou a mão-de-obra indígena para lucrar com atividades agrícolas, além de administrarem fazendas de gado, olarias e engenhos, e todo esse processo fez com que a Companhia de Jesus enriquecer ao longo de seus anos na colônia.
As críticas que surgiam sobre a Companhia de Jesus se espalhavam por toda a colônia, e nesse momento surgia as reformas patrocinadas pelos “déspotas esclarecidos” que seria um grupo de reformas modernizantes. Nesse grupo encontra-se Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês e Pombal. Marquês de Pombal seria o responsável em dar fim a ordem dos jesuítas no Brasil, para ele os jesuítas era uma ameaça ao sistema, visto que eles tinham interesses diferentes aos da Coroa e ampla posse de bens e riquezas, e também eram uma ordem religiosa com bastante autonomia. Em 1759, Marquês de Pombal decretou o fim dos trabalhos da Companhia de Jesus em Portugal e suas colônias, os expulsando definitivamente do Brasil, e todos os bens pertencentes a Companhia de Jesus foram retidos por Pombal e posteriormente leiloados.
- FERREIRA, Liliana Soares. Educação & história. 2.ed. revisada e apliada. Ijuí: Ed. Unijuí. 2001.
- FREYRE, Gilberto. Casa-Grande e Senzala. In: SANTIAGO, Silviano(org.). Intérpretes do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.
- STEPHANOU, Maria; BASTOS, Maria Helena Câmara (orgs.). Histórias e memórias da educação no Brasil. 3 volumes. Rio de Janeiro: Vozes, 2005.
