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O novo nacionalismo da redemocratização e os ideais do ISEB

 





O Brasil pós Estado Novo teve várias mudanças em seus moldes culturais, principalmente pelo cenário que ali estava se estabelecendo, como o retorno da democracia e um grande desejo de mudanças no país, e essas mudanças dariam então ao período da década de 50, que seria conhecido como os anos dourados. Esse período será marcado pelo novo nacionalismo, representado por uma política desenvolvimentista, onde a industrialização e urbanização em massa pelo país, dariam uma nova roupagem ao Brasil, com o objetivo de se desprender de um status de subdesenvolvido para um Estado em Desenvolvimento. Esse projeto nacional desenvolvimentista irá ganhar vários adeptos, e o ISEB será uma grande referência a construção de uma nova cultura engajada no país. O Brasil por mais que tenha saído de um regime ditatorial, ainda se apegava ao culto a pessoas de natureza populista, que por sua vez, o chefe da nação seria um grande articulador entre as classes, dos trabalhadores à burguesia. 


E esse movimento de articulação na década de 50, será entendido que o processo desenvolvimentista só se daria através de um Estado populista, onde haveria uma grande valorização da burguesia, a qual representava o grande poder capital, e os investimentos partiriam através destes por suas influências com o mundo estrangeiro e seu capital. Por outro lado, também haveria uma valorização das classes trabalhadoras, já que o processo de redemocratização deu acesso as classes populares o direito de escolherem seus representantes, estas também deveriam ser beneficiadas com o novo projeto de desenvolvimento e seus investimentos.  Para que essa intercessão de classes ocorra, será necessário um grande “boom” cultural, seja na arquitetura, música, teatro e poesias, a cultura será muito importante nesse processo de transição do autoritarismo para a democracia, e principalmente no “marketing” para o mundo afim de investimentos do capital estrangeiro. 


As mudanças arquitetônicas serão representadas principalmente pela construção de Brasília durante cinco anos, onde a figura de Oscar Niemeyer como projetor e idealista da arte arquitetônica ganhará notoriedade ao abandonar os traços greco-romanos e construir projetos modernos futuristas, apresentando o Brasil como um país do futuro. Figuras como Dercy Gonçalves, Grande Otelo, e outros artistas, seriam a vitrine do país nesse período pós-estadonovista, e suas artes criariam um “mal-estar” entre as elites do país, já que a redemocratização da cultura estava sendo construída nesse plano desenvolvimentista, e isso fez com que essas elites acreditassem em um empobrecimento da cultura, algo que era erudito estava se tornando popular.  


A cultura brasileira sofria fortemente influências da cultura americana, nisso o ISEB irá analisar essa nova cultura brasileira através de uma questão cultural a partir de uma perspectiva sociológica e política, onde a cultura é engajada ao momento em que se encontra, ou seja, ela será construída de acordo com o pensamento de uma visão sociológica atual. Nisso muitos acreditavam que a cultura poderia ser utilizada como “fábricas de ideologias”, principalmente no período do governo JK, mas a construção de um alienação cultural durante esse período não ocorreu, a cultura caminhava juntamente com uma internacionalização do capital brasileiro, ou seja, a cultura brasileira sofria grandes influências de outras culturas. 


A música brasileira era bem representada com o samba, jazz e a bossa-nova, principalmente pela figura de Tom Jobim na bossa-nova, explodindo o gênero ao mundo e apresentando um ritmo “essencialmente” brasileiro, que tivera grande influência do jazz em sua construção. O jazz era em essência um ritmo popular americano, e ao influenciar as musicas no Brasil, isso irá criar certos conflitos entre as elites alienadas, onde acreditava-se que a popularização da música era uma “destruição da cultura erudita”.


Referências:

ORTIZ, Renato. “Alienação e cultura ISEB”. Cultura Brasileira e Identidade Nacional. São Paulo, Brasiliense, 1985.

VELLOSO, Mônica P. A dupla face de Jano romantismo e populismo IN GOMES, Ângela de Castro (org.). O Brasil de JK. Rio de Janeiro, Editora FGV, 2002 (2ª).