- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Postagens
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
O século XIX foi um
período repleto de mudanças econômicas e transformações sociais na Europa. Com
a evolução das produções industriais e a crescente urbanização, a burguesia e a
classe trabalhadora sofreram impactos diretos em suas estruturas, sejam elas
familiar ou social. A burguesia foi fundamental para que essas ondas de
revoluções ocorressem, nisso que ela cresceu proporcionalmente junto com os
processos de industrialização em massa na Inglaterra e com as mudanças
políticas na França.
Em consequência da
Revolução Industrial na Inglaterra e as mudanças políticas ocasionadas pela
Revolução Francesa, surge uma nova identidade da burguesia, que serão moldadas
nas civilizações. Na França, a burguesia tinha um intenso desejo de mudanças
políticas, buscando se inserir diretamente nas decisões do Estado, ou seja, uma
plena liberdade política, onde seria possível reivindicar suas lutas durante o
momento da revolução, que posteriori seriam consolidadas. Entretanto, a sua
consolidação política mudaria aos poucos o comportamento da sociedade. A
cultura seria umas das principais mudanças ocasionadas com a ascensão da
burguesia no poder, que teria um boom cultural com a expansão do
capitalismo sobre a Europa. O movimento capitalista seria um facilitador da
difusão cultural burguesa na classe trabalhadora, afinal, a industrialização em
massa possibilitaria a mudança da sociedade camponesa para uma sociedade
urbanizada, que dialogaria com o movimento das cidades ao decorrer de seu
crescimento, e essa urbanização seria a forma mais fácil da sociedade burguesa
inserir seus interesses sobre a sociedade.
A expansão das cidades,
principalmente na Inglaterra, teve a mineração e a produção do aço como fator
dominante, e isso levou a construção de máquinas a vapor e ferrovias, que
facilitariam a movimentação econômica que se desenvolvia. O processo de êxodo
rural e crescimentos da indústria, formaram grandes centros urbanos, e a partir
dessa concentração da classe operária, foram aprimorando os transportes e
também a ampliação das estradas e ferrovias. A Revolução Industrial trouxe a
burguesia um prestígio de poder econômico e político que antes só era visto no
domínio monárquico, mas que agora também está concentrado nas mãos burguesas. A
industrialização burguesa mudou os rumos econômicos e sociais na Europa, mas
não significou mudanças radicais nas estruturas da sociedade, o poder econômico
ainda estava concentrada nas mãos de poucos, e a classe operária era explorada,
possuindo pouco daquilo que ela mesmo produz.
A burguesia enxergou a
estrutura familiar como uma forma de moldar os seus interesses na sociedade.
Segundo Hobsbawm, ela encontrou dificuldades em “combinar aquisições e despesas
de um modo moralmente satisfatório” e criar uma sucessão de homens dinâmicos
dentro de uma família, afim de se manter os negócios econômicos familiares,
nisso ele vai exaltar a importância das filhas dentro dessas famílias, que
segundo ele, essas podiam se dar em casamentos e trazer novos homens para
dentro dessa estrutura familiar, que acabariam dando sequência a esses negócios
familiares, ou seja, uma forma de união entre duas famílias afim de dar
prosseguimento às relações econômicas estabelecida, criando uma nova geração
patriarcal. Ele ainda vai destacar que os maiores interesses da sociedade
burguesa era o lucro, e isso já seria uma motivação para geração de riquezas.
A família burguesa, teria
em sua concepção de vida a frase “as aparências importam”, porque para eles era
muito importante se aparentarem como “bem sucedidos”, e isso deveria transparecer
em suas vestimentas, na decoração de suas casas, e em vários aspectos do
cotidiano, criando uma cultura de aparências. Nessa forma, era necessário se expressarem
como “verdadeiros nobres” cultos, com livros nas prateleiras de suas casas,
instrumentos musicais na sala, e outros itens que demonstravam a grandeza
daquela família na sociedade, entretanto, possuir essas coisas não significava
que realmente sabiam utilizá-las, Hobsbawm destaca que a presença de pianos na
casa, era a representação de um poder econômico naquele lar, e as filhas desses
lares eram obrigadas a praticar escalas musicais, afim de aparentar o
conhecimento de tal objeto. Mas, o mais importante era que os objetos demonstrarem
seus valores, que segundo Hobsbawm, a maioria dos lares burgueses eram um
grande acúmulo de objetos antigos, que fariam os diferenciarem dos lares mais
pobres.
A moralidade burguesa
também teve grande impacto nas transformações socias, principalmente nas
questões sexuais. Herdados pela moralidade da “Era Vitoriana”, a burguesia
tinha como característica comportamentos patriarcais, rigorosos com a modéstia
e a castidade, mas que na prática muitas vezes não era seguida à risca,
principalmente pelos homens, mas naquela sociedade, a mulher deveria ter a
castidade preservada, sendo na realidade uma moral imposta apenas para as
mulheres, o que Hobsbawm definiria como “hipocrisia burguesa”. Mas essa
repressão sexual era diferenciada em países católicos e protestantes, sendo no
mundo do protestante a moralidade mais rígida que os católicos. A moralidade
era um marketing da sociedade burguesa, uma forma de se vender certos padrões
de vida como “seres superiores” aos demais, que era tão contraditório quanto
suas ações.
Hobsbawm afirma não
existir uma burguesia autoconsciente de sua representação no poder econômico e
político, visto que essa tinha um grande poder de influência no Estado.
Realmente eles não possuíam essa autoconsciência de sua representatividade, a
classe burguesa só se interessava em manter suas atividades lucrativas e manter
seus status sociais. A partir de seus interesses naquela época, ela teve grande
influência na formação social que ocorria na Europa, onde muitos tentavam se
ascender socialmente pela influência da “prosperidade burguesa”. Por mais que
sua influência não era autoconsciente, ela possuía uma representatividade
impactante na sociedade, que se prolongou até depois do século XIX,
principalmente na formação das estruturas de uma sociedade capitalista.
- HOBSBAWM, Eric. A Era do Capital,
1848-1875. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 2000.
- HOBSBAWM, Eric. Da Revolução
Industrial ao Imperialismo. Rio de Janeiro. Forense Universitário, 2013.
