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O conceito de fascismo segundo Leandro Konder





O autor vai buscar explicar de forma concisa e bem didática o que o termo fascismo significa e quais são suas ações em determinado período histórico. No começo do texto, ele irá enfatizar como o termo fascista vem sendo utilizado como uma “arma” de acusações políticas, e como muitos dos que a utilizam, não sabem exatamente o que é fascismo, e o termo é utilizado em maioria das vezes pelo campo da esquerda afim de injuriar o campo da direita. A partir desse mal uso do termo, Leandro Konder mostra como o seu uso indevido limita os debates com o real teor científico e banalizando o conceito do fascismo.


Konder explica que nem todo movimento reacionário é um movimento fascista, por mais que o movimento reacionário tenha repressões e conservações de privilégios de classe, alguns desses não se classificam como fascistas. E o fascismo também não se reduz em conceitos de ditaduras e autoritarismo como já vistos na história da humanidade, por exemplo a tirania espartana, o governo de Nero em Roma, e o fanatismo da Santa Inquisição. Então Konder demonstra que o fascismo é um movimento único, e que não existem nenhum outro movimento anterior que se possa classificar como tal, nisso ele irá trazer as figuras de Mussolini e Hitler, que foram pioneiros nessa ideologia extremista que nasce a partir de um conservadorismo extremado. Para o autor, o conceito de direita é imprescindível para uma correta compreensão do fascismo, mas o fascismo nasce da direita pelo fato de que esse espectro representa as exigências das forças sociais que tendem a conservar certos privilégios de um determinado sistema socioeconômico. O fascismo sempre representou uma grande tentativa de superar as forças conservadoras mais resolutas, adotando uma solução de pragmatismo radical e se servindo de teorias que o legitimavam.


O fascismo é um movimento contemporâneo da extrema direita com a tentativa de superar a situação altamente insatisfatória em que a Itália estava enfrentando, o problema das tensões que se haviam criado no âmbito da direita entre a teoria e a prática, o fascismo adotou a solução do pragmatismo radical. E para que conseguisse alcançar seus objetivos, buscou melhorar suas concepções através de buscas de ideias no campo inimigo, passando a estudar os conceitos de Marx e o socialismo. “A essência do pensamento de Marx era naturalmente incompatível com os interesses vitais das classes conservadoras, mas a direita não estava iludida a esse respeito e não tinha a menor intenção de se converter ao marxismo: o que ela queria era “importar” do marxismo alguns conceitos, desligando-os do contexto em que tinham sido elaborados, mistificando-os e tornando-os úteis aos seus propósitos. Coube ao fascismo italiano empreender, pioneiramente, o assalto. Mussolini, ex-agitador do Partido Socialista, que em 1910 dirigia uma publicação intitulada Lotta di classe (em Forli), passou-se com armas e bagagens para o lado da burguesia e se incumbiu de vender-lhe a sua interpretação da teoria da luta de classes. Havia, porém, no filósofo alemão, uma certa ingenuidade que Mussolini julgava ter superado: Marx acreditava que, na fase atual da sua história, a humanidade estava preparada para, através da ação revolucionária do proletariado, pôr fim à luta de classes e criar o comunismo. Mussolini encarava a luta de classes como um aspecto permanente da existência humana, uma realidade trágica insuperável: o que se precisava fazer era discipliná-la, e o único agente possível dessa ação disciplinadora teria de ser uma elite de novo tipo, enérgica e disposta a tudo.”1


Mussolini modificou os conceitos da teoria marxista, transformando-as em uma identidade de teoria e prática, e a teoria adotada por Mussolini perdeu a capacidade de criticar o que seria a prática, e essa prática estava instrumentalizada. Mussolini entendeu o que poderia fazer no começo da guerra de 1914-1918, onde ele criaria um “valor supremo”, e esse se tornaria um mito chamado pátria. “Ele próprio o diz, com sua franqueza habitual: “Criamos o nosso mito. O mito é uma fé, é uma paixão. Não é preciso que seja uma realidade. [...] O nosso mito é a nação, o nosso mito é a grandeza da nação!”2 Criou-se então uma nação italiana, que era cheia de conflitos internos e extremamente dividida em classes sociais, onde os interesses eram divergentes e conflituosas, marcadas por muita violência, e Mussolini através disso constituiu um mito, uma farsa de unidade idealizada, ou uma nação proletária e explorada por outras nações, colocando como inimigos externos os socialistas, que segundo ele usurparam seus ideais e aproveitaram do proletariado italiano para realizarem suas reivindicações e isso afetou o país internamente e ajudou os inimigos da Itália a tirarem proveito da situação. E isso levou Mussolini a argumentar que essas condições em que a Itália estava, foi agravada pela guerra e pela crise pós-guerra, que se deu a luta entre nação e antinação.


Segundo Konder, a demagogia fascista sempre assume formas ““populistas”, e esse “populismo” pressupõe um “povo” tão mítico como a “nação”, nos quadros da ideologia fascista. E todas as vezes em que alguma tendência no interior do fascismo se mostrou mais sensível a pressões “plebeias” e procurou aprofundar certos aspectos “populistas”, foi sumariamente cortada pelas forças que mantinham a hegemonia no movimento fascista. “3 O autor vai dizer que o nacionalismo exprime todos os sentimentos de um povo que foi explorado pelo capital estrangeiro e também pela revolta de um povo contra imposições de outra nação, criando um nacionalismo que seria essencialmente defensivo a essas imposições. A valorização fascista da nação precisa ser agressiva, precisa buscar uma ênfase feroz, que segundo Konder, seria para disfarçar o seu vazio, e ela tende a diminuir a importância dos valores de outras nações e da humanidade em geral.


Esse mito de uma nação fascista se mostrou eficiente, recrutou adeptos de todas as classes sociais e conseguiram alcançar todos os grupos através de vários instrumentos, inclusive pela cultura e principalmente o rádio. A cultura era a forma mais fácil de moldar o pensamento do povo, e o rádio foi o porta-voz do avanço dos discursos fascistas, já que este era um instrumento que estava em quase todos os lares. As propagandas fascistas deturpavam vários conceitos, como os do liberalismo e do socialismo, destruindo todos os princípios que estes já tinham estabelecidos de forma democrática. O fascismo destruía qualquer forma de oposição a suas políticas, tem como forma de se manter no poder a desconstrução de bases sólidas e criando confiança nas massas populares com discursos ditos “populistas”.



1 - KONDER, Leandro. O conceito de fascismo. In_ Introdução ao fascismo. São Paulo_ Expressão Popular, 2009. p. 31.

2 - KONDER, Leandro. Ibidem. p. 35.

3 - KONDER, Leandro. Ibidem. p. 40.

i Referência:

i KONDER, Leandro. O conceito de fascismo. In_ Introdução ao fascismo. São Paulo_ Expressão Popular, 2009.