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O
Brasil durante a década de 1920 passou por profundas transformações no campo
político, o que levou a grandes rupturas dos sistemas vigentes desde o
princípio da república brasileira, entre esses sistemas, o regime oligárquico
republicano, que havia sido estabelecido no início da República, se encontrava em
crise. Os grandes coronéis, que controlavam os estados e mantinham suas
máquinas eleitorais, enfrentavam novas forças políticas e sociais que surgiram
no cenário político. Entre essas novas forças políticas, surgiu o movimento
tenentista, que era formado por jovens oficiais de baixa patente do Exército,
em maioria tenentes e capitães, que se rebelaram contra a corrupção e o
clientelismo na política. Eles defendiam a modernização do país e a construção
de uma nação mais justa e desenvolvida. Esses ideais estavam em contraste com a
política das oligarquias, que privilegiavam a manutenção de seus próprios
interesses. A Revolta do Forte de Copacabana em 1922 e a Revolução de 1924 em
São Paulo foram movimentos que tinham como objetivo derrubar as oligarquias e
promover mudanças significativas na estrutura política e social do país.
Romper com as oligarquias, era um ato “revolucionário”, já que era um sistema vigente que ganhou forças no início da república, o que levou a concentração de poder nas mãos dos mais ricos, geralmente donos de grandes terras, que detinham em suas propriedades a maior parte do capital financeiro da cidade circulando em suas propriedades. Esse fato fazia a população, que em maioria era analfabeta e dependente das terras dos coronéis, reféns desse modelo político. As oligarquias mantinham seu poder através do controle da população, deixando grande parte dela analfabeta e dependente de suas posses. Entretanto, as oligarquias começavam a enfrentar várias crises internas e externas que levariam a fragmentação do poder, e a mudança na alternância mandatária Minas Gerais – São Paulo. A crise do café foi fundamental para o enfraquecimento das oligarquias, pois com os setores rurais em baixa, ouve crescimento de outras atividades econômicas no Brasil, como a industrialização, criando um êxodo rural, e diminuindo a influência e dependência dos coronéis. E com a diversificação da economia, novos grupos sociais, como a classe média urbana e os trabalhadores industriais, começaram a emergir como forças políticas relevantes. Esses grupos não tinham vínculos com os coronéis e buscavam representação política e melhores condições de vida. Essa crise do café foi fruto da instabilidade política global, que afetou diretamente as exportações do produto, e por essa adversidade externa, as fazendas tiveram sua produtividade reduzida, o que levou ao enfraquecimento das produtividades nas lavouras e a dispersão da mão-de-obra.
Na crise interna, podemos destacar a figura de Washington Luís que era um político paulista, e foi um dos responsáveis pela ruptura na tradição da alternância entre os dois estados, pelo fato de apoiar a candidatura de Júlio Prestes, também paulista, para a presidência da República, em detrimento da candidatura de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada que era mineiro, e tinha o apoio dos políticos de seu estado e também de outros estados, como a Paraíba e o Rio Grande do Sul. “O governo Washington Luís decorreu em clima de relativa estabilidade. Os confrontos que marcaram os primeiros anos da década de vinte pareciam estar contornados. Em 1929, iniciou-se um novo processo de sucessão presidencial. Tudo indicava que as regras que norteavam o funcionamento da política até então seriam mais uma vez cumpridas: as forças da situação, por meio do presidente da República, indicariam um candidato oficial, que deveria ser apoiado por todos os grupos dominantes nos estados. Dessa vez, contudo, a cisão se processaria no cerne do próprio grupo dominante. Washington Luís, resolvido a fazer seu sucessor, indicou Júlio Prestes, paulista como ele e então presidente do estado, como candidato oficial. Com isso, rompia-se o acordo tácito com Minas, que esperava ocupar a presidência da República.”[1]
Ao indicar Júlio Prestes, gerou um rompimento que causou insatisfação em Minas Gerais e outros estados que apoiavam a candidatura de Antônio Carlos, o que ocasionou à formação de uma Aliança Liberal, se tornando frente de oposição liderada por Getúlio Vargas, que reunia políticos e setores das oligarquias estaduais insatisfeitos com a política de alternância Minas Gerais e São Paulo. A Aliança Liberal apresentou a candidatura de Getúlio Vargas para a presidência da República nas eleições de 1930, mas foi impedida de concorrer devido às manobras políticas do governo de Washington Luís. Esse fato gerou um clima de tensão e conflito, visto como uma afronta aos tenentistas, que se uniram a outras forças políticas insatisfeitas com o regime oligárquico para derrubar o presidente que culminou na Revolução de 1930, liderada por Vargas, que depôs Washington Luís e deu início a uma nova fase política no país. Apesar de não terem alcançado seus objetivos imediatos, esses movimentos tenentistas contribuíram para a crise política que culminou na Revolução de 1930.
A Revolução de 1930 marcou o fim do período oligárquico republicano e o início de uma nova fase na história do Brasil. O movimento tenentista e outras forças políticas que se uniram na Revolução de 1930 criaram um governo provisório liderado por Getúlio Vargas, que implementou uma série de reformas e mudanças significativas na estrutura política e social do país. Inicialmente, o movimento tenentista defendia a modernização do país e a criação de uma nação mais justa e desenvolvida, com a participação das classes médias urbanas e do proletariado. Eles criticavam a corrupção e o clientelismo na política e reivindicavam a reforma do sistema político. No entanto, o movimento tenentista era bastante heterogêneo e dividido em diferentes correntes ideológicas. Uma dessas correntes era a liberal, que defendia a democracia liberal e a modernização do país dentro dos moldes capitalistas, com participação direta do povo nas eleições. Eles propunham uma maior participação das elites urbanas na política e um Estado mais eficiente e moderno. Outra corrente dentro do tenentismo era o movimento comunista, que tinha influência dos outros movimentos ocorridos na América Latina, e que defendia a revolução socialista e a eliminação das desigualdades sociais por meio da luta de classes. Eles propunham uma sociedade sem classes e um Estado socialista controlado pelos proletariados, e a supressão das oligarquias. As correntes ideológicas divergiam em suas estratégias e objetivos políticos, o que demonstrava o quão complexo era aquele momento da história brasileira. Essas diferenças levaram a conflitos internos no movimento tenentista, especialmente durante a Revolução de 1924 em São Paulo.
Apesar das divergências, o movimento tenentista foi importante na luta contra as oligarquias e a modernização do país. Suas reivindicações e ações inspiraram outros movimentos sociais e políticos nas décadas seguintes e contribuíram para a criação de um novo cenário político no país. As bases de situacionismo contribuíram muito para a construção da nova situação política, principalmente a base mineira, que havia rompido com São Paulo após o ato de “traição” por parte dos paulistas, o que levou ao apoio ao então candidato gaúcho Getúlio Vargas. Mas na década de 1920, a política brasileira era dominada por dois partidos principais: o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM). Esses partidos eram chamados de "partidos da situação" e representavam as elites oligárquicas de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente. O PRP era liderado por políticos como Washington Luís e Júlio Prestes e representava os interesses das elites cafeicultoras de São Paulo. O partido defendia a manutenção do poder das oligarquias no país e a continuidade das políticas econômicas que beneficiavam as elites agrárias. Já o PRM, liderado por políticos como Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e João Pinheiro, representava os interesses das elites agrárias de Minas Gerais. O partido defendia a descentralização do poder político e a autonomia dos estados em relação ao governo federal. Além desses partidos, surgiram na década de 1920 alguns partidos de oposição, como o Partido Democrático (PD) e o Partido Comunista do Brasil (PCB). O PD era liderado por políticos como Getúlio Vargas e Artur Bernardes e defendia uma maior participação das classes médias na política e a modernização do país. Já o PCB, fundado em 1922, defendia a luta de classes e a revolução socialista.
Os movimentos partidários foram importantes para que se rompesse com a política da Primeira República, ampliando a participação política para além das situações Minas Gerais – São Paulo, o que levou a quebra da antiga tradição situacionista, elegendo um gaúcho ao poder, que por consequências teve várias mudanças no atual cenário. Apesar das transformações ocorridas, as oligarquias foram somente enfraquecidas, ou seja, ainda permanecia a influências dessas na política brasileira, mas com seu poder bastante reduzido. Mas antes desse acontecimento, já havia movimentações para reduzir os poderes oligárquicos, como exemplo a articulação dos militares em 1924 que buscavam derrubar Arthur Bernardes do poder, que era visto como representante máximo das oligarquias do País. Os movimentos na década de 1920 foram fundamentais para que a revolução de 1930 acontecesse, dando início a uma nova era da recente república brasileira.
Romper com as oligarquias, era um ato “revolucionário”, já que era um sistema vigente que ganhou forças no início da república, o que levou a concentração de poder nas mãos dos mais ricos, geralmente donos de grandes terras, que detinham em suas propriedades a maior parte do capital financeiro da cidade circulando em suas propriedades. Esse fato fazia a população, que em maioria era analfabeta e dependente das terras dos coronéis, reféns desse modelo político. As oligarquias mantinham seu poder através do controle da população, deixando grande parte dela analfabeta e dependente de suas posses. Entretanto, as oligarquias começavam a enfrentar várias crises internas e externas que levariam a fragmentação do poder, e a mudança na alternância mandatária Minas Gerais – São Paulo. A crise do café foi fundamental para o enfraquecimento das oligarquias, pois com os setores rurais em baixa, ouve crescimento de outras atividades econômicas no Brasil, como a industrialização, criando um êxodo rural, e diminuindo a influência e dependência dos coronéis. E com a diversificação da economia, novos grupos sociais, como a classe média urbana e os trabalhadores industriais, começaram a emergir como forças políticas relevantes. Esses grupos não tinham vínculos com os coronéis e buscavam representação política e melhores condições de vida. Essa crise do café foi fruto da instabilidade política global, que afetou diretamente as exportações do produto, e por essa adversidade externa, as fazendas tiveram sua produtividade reduzida, o que levou ao enfraquecimento das produtividades nas lavouras e a dispersão da mão-de-obra.
Na crise interna, podemos destacar a figura de Washington Luís que era um político paulista, e foi um dos responsáveis pela ruptura na tradição da alternância entre os dois estados, pelo fato de apoiar a candidatura de Júlio Prestes, também paulista, para a presidência da República, em detrimento da candidatura de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada que era mineiro, e tinha o apoio dos políticos de seu estado e também de outros estados, como a Paraíba e o Rio Grande do Sul. “O governo Washington Luís decorreu em clima de relativa estabilidade. Os confrontos que marcaram os primeiros anos da década de vinte pareciam estar contornados. Em 1929, iniciou-se um novo processo de sucessão presidencial. Tudo indicava que as regras que norteavam o funcionamento da política até então seriam mais uma vez cumpridas: as forças da situação, por meio do presidente da República, indicariam um candidato oficial, que deveria ser apoiado por todos os grupos dominantes nos estados. Dessa vez, contudo, a cisão se processaria no cerne do próprio grupo dominante. Washington Luís, resolvido a fazer seu sucessor, indicou Júlio Prestes, paulista como ele e então presidente do estado, como candidato oficial. Com isso, rompia-se o acordo tácito com Minas, que esperava ocupar a presidência da República.”[1]
Ao indicar Júlio Prestes, gerou um rompimento que causou insatisfação em Minas Gerais e outros estados que apoiavam a candidatura de Antônio Carlos, o que ocasionou à formação de uma Aliança Liberal, se tornando frente de oposição liderada por Getúlio Vargas, que reunia políticos e setores das oligarquias estaduais insatisfeitos com a política de alternância Minas Gerais e São Paulo. A Aliança Liberal apresentou a candidatura de Getúlio Vargas para a presidência da República nas eleições de 1930, mas foi impedida de concorrer devido às manobras políticas do governo de Washington Luís. Esse fato gerou um clima de tensão e conflito, visto como uma afronta aos tenentistas, que se uniram a outras forças políticas insatisfeitas com o regime oligárquico para derrubar o presidente que culminou na Revolução de 1930, liderada por Vargas, que depôs Washington Luís e deu início a uma nova fase política no país. Apesar de não terem alcançado seus objetivos imediatos, esses movimentos tenentistas contribuíram para a crise política que culminou na Revolução de 1930.
A Revolução de 1930 marcou o fim do período oligárquico republicano e o início de uma nova fase na história do Brasil. O movimento tenentista e outras forças políticas que se uniram na Revolução de 1930 criaram um governo provisório liderado por Getúlio Vargas, que implementou uma série de reformas e mudanças significativas na estrutura política e social do país. Inicialmente, o movimento tenentista defendia a modernização do país e a criação de uma nação mais justa e desenvolvida, com a participação das classes médias urbanas e do proletariado. Eles criticavam a corrupção e o clientelismo na política e reivindicavam a reforma do sistema político. No entanto, o movimento tenentista era bastante heterogêneo e dividido em diferentes correntes ideológicas. Uma dessas correntes era a liberal, que defendia a democracia liberal e a modernização do país dentro dos moldes capitalistas, com participação direta do povo nas eleições. Eles propunham uma maior participação das elites urbanas na política e um Estado mais eficiente e moderno. Outra corrente dentro do tenentismo era o movimento comunista, que tinha influência dos outros movimentos ocorridos na América Latina, e que defendia a revolução socialista e a eliminação das desigualdades sociais por meio da luta de classes. Eles propunham uma sociedade sem classes e um Estado socialista controlado pelos proletariados, e a supressão das oligarquias. As correntes ideológicas divergiam em suas estratégias e objetivos políticos, o que demonstrava o quão complexo era aquele momento da história brasileira. Essas diferenças levaram a conflitos internos no movimento tenentista, especialmente durante a Revolução de 1924 em São Paulo.
Apesar das divergências, o movimento tenentista foi importante na luta contra as oligarquias e a modernização do país. Suas reivindicações e ações inspiraram outros movimentos sociais e políticos nas décadas seguintes e contribuíram para a criação de um novo cenário político no país. As bases de situacionismo contribuíram muito para a construção da nova situação política, principalmente a base mineira, que havia rompido com São Paulo após o ato de “traição” por parte dos paulistas, o que levou ao apoio ao então candidato gaúcho Getúlio Vargas. Mas na década de 1920, a política brasileira era dominada por dois partidos principais: o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM). Esses partidos eram chamados de "partidos da situação" e representavam as elites oligárquicas de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente. O PRP era liderado por políticos como Washington Luís e Júlio Prestes e representava os interesses das elites cafeicultoras de São Paulo. O partido defendia a manutenção do poder das oligarquias no país e a continuidade das políticas econômicas que beneficiavam as elites agrárias. Já o PRM, liderado por políticos como Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e João Pinheiro, representava os interesses das elites agrárias de Minas Gerais. O partido defendia a descentralização do poder político e a autonomia dos estados em relação ao governo federal. Além desses partidos, surgiram na década de 1920 alguns partidos de oposição, como o Partido Democrático (PD) e o Partido Comunista do Brasil (PCB). O PD era liderado por políticos como Getúlio Vargas e Artur Bernardes e defendia uma maior participação das classes médias na política e a modernização do país. Já o PCB, fundado em 1922, defendia a luta de classes e a revolução socialista.
Os movimentos partidários foram importantes para que se rompesse com a política da Primeira República, ampliando a participação política para além das situações Minas Gerais – São Paulo, o que levou a quebra da antiga tradição situacionista, elegendo um gaúcho ao poder, que por consequências teve várias mudanças no atual cenário. Apesar das transformações ocorridas, as oligarquias foram somente enfraquecidas, ou seja, ainda permanecia a influências dessas na política brasileira, mas com seu poder bastante reduzido. Mas antes desse acontecimento, já havia movimentações para reduzir os poderes oligárquicos, como exemplo a articulação dos militares em 1924 que buscavam derrubar Arthur Bernardes do poder, que era visto como representante máximo das oligarquias do País. Os movimentos na década de 1920 foram fundamentais para que a revolução de 1930 acontecesse, dando início a uma nova era da recente república brasileira.
[1] FERREIRA, Marieta de Moraes; PINTO, Surama
Conde Sá. A Crise dos anos 20 e a Revolução de Trinta. Rio de Janeiro: CPDOC,
2006. 26f. p. 15.
- FERREIRA, Marieta de Moraes;
PINTO, Surama Conde Sá. A Crise dos anos 20 e a Revolução de Trinta. Rio
de Janeiro: CPDOC, 2006. 26f.
