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A agricultura e a manufatura foram essenciais para a subsistência humana durante séculos. O trabalho gerado a partir do uso da terra sempre foi a principal atividade econômica desde a antiguidade até a sociedade contemporânea, e a partir da agricultura, as manufaturas desenvolvem sua produção com os produtos oriundos da terra. Para Adam Smith, “as nações mais oriundas geralmente superam todos seus vizinhos tanto na agricultura como nas manufaturas; geralmente, porém, distinguem-se mais pela superioridade na agricultura.”1 E essa superioridade é justificada por investirem muito mais trabalho e dinheiro, e em consequência, produzem muito mais, considerando também a extensão do solo e o clima local. Mas Smith deixa claro que um país rico nem sempre é mais produtivo que o país mais pobre, ele traz a comparação entre a produção de trigo entre França, Polônia e Inglaterra, onde destaca que a qualidade do trigo do mais pobre é tão boa quanto a do país rico, e no mercado, o produto do mais rico nem sempre chega com o preço mais baixo em comparação ao mais pobre. E a partir dessas questões, compreenderemos como ocorreu as divergências de trajetórias das diferentes regiões europeias, passando pela Idade Média, até o fim do século.
1 SMITH, Adam. A riqueza das nações: Investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultural, Coleção “Os Economistas”, 1996. [Livro I, capítulos 1 a 3].
Durante o final da idade média, ocorreu o avanço dos chamados Estados Nacionais, caracterizados pelas monarquias absolutistas e o mercantilismo. Como o sistema de comercialização fragmentou-se,
surge uma nova fora de se pensar a economia e suas práticas, dando início ao sistema mercantilista na Europa, que tinha por objetivo fortalecer o Estado e enriquecer a burguesia, e para que isso ocorresse, foi necessário a abertura e ampliação de atividades econômicas, e com o aumento dos lucros, veio o aumento de impostos sobre a população. Acreditava-se que a ideia de riqueza de uma nação era medida pela quantidade de ouro, prata e outros metais acumulados (processo também conhecido como bulionismo), onde muitos destes, foram trazidos de colonizações, ocorridas principalmente nas Américas, e sobre conquistas territoriais e marítimas. E essa idealização de acumulo de riquezas começou a se concretizar até mesmo em Roma, com suas conquistas pelo mar mediterrâneo e algumas descobertas de metais na América, e a partir dessas fontes, A. Smith veio a definir esse processo como mercantilismo, pela forma como as medidas econômicas se moldaram através de um processo protecionista, onde o estado evitava a saída desses metais, e os mantinham em seus domínios, e esse protecionismo adotado pelo Estado, visava fortalecer a economia nacional contra a concorrência estrangeira.
A Espanha foi o Estado mais rigoroso com essas medidas e foi o País onde a maior parte dos tesouros das Américas se concentrou. Já na Inglaterra, foram adotas medidas de proteção à produção têxtil, assim proibindo a exportação da lã, como forma de favorecimento às indústrias nacionais. “O que há de fundamental na concepção de Smith sobre a evolução histórica é sua concepção de que a história humana pode ser descrita como uma sucessão de formas de produção que se diferenciam entre si pelo grau de divisão social do trabalho e de domínio do homem sobre a Natureza.”2
3 SMITH, Adam. A riqueza das nações: Investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultural, Coleção “Os Economistas”, 1996. [Livro 3, capítulos 1 a 4].
2 ANTUNES, Jair. Adam Smith historiador das formas econômicas. Revista Tempo da Ciência. Paraná – Brasil. v. 14, n. 27 (2007).
O homem sempre teve a terra como uma forma de meio de produção e sustento, e com as mudanças estáticas pós-Idade Média e início da Idade Moderna, a forma de se produzir e comercializar mudou, e junto com essas mudanças econômicas, a sociedade também se modificou. Era comum a locação ou venda de terras para a produção agrícola, e grande parte dessas produções eram feitas por escravos, “Todavia, esses escravos rendeiros não tinham possibilidade de adquirir propriedade. O que quer que adquirissem pertencia ao patrão, o qual podia tirar-lhes à vontade o que haviam adquirido. Qualquer cultivo e melhoria que fossem feitos na terra com o trabalho de tais escravos contavam como feitos pelo patrão. A despesa era dele. As sementes, o gado e os instrumentos agrícolas também lhe pertenciam. Tudo era empregado em benefício do patrão. Tais escravos não tinham condições de adquirir nada, a não ser seu sustento diário.”3
3 SMITH, Adam. A riqueza das nações: Investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultural, Coleção “Os Economistas”, 1996. [Livro 3, capítulos 1 a 4].
Adam Smith mostra como os proprietários de terras, muitas vezes, vendiam ou locavam sua propriedade juntamente com o escravo ali pertencente a terra. O escravo era extremamente ligado a terra e sua produção, porém, na mesma só poderia retirar só o seu sustento, os lucros eram sempre direcionados ao dono ou locador da terra. Isso era algo comum em Roma, onde pessoas se tornavam escravos por dívida, e além de se tornarem servos, seus bens eram confiscados e entregue ao seu novo senhor, e a terra que o mesmo perdia, nela trabalhava e não se beneficiava. Além de torna-se escravo, também perdia seus diretos políticos e econômicos. “A aristocracia romana adapta-se à nova condição econômica, baseada no escravismo. Preocupam-se em ensinar aos filhos o que um senhor proprietário de terras deve conhecer: como comprar uma propriedade, como cuidar dos escravos, a produção mais rendosa. Outra área que evolui é a jurisprudência, que reúne os casos julgados; as regras e os precedentes têm importância na vida política e na prática dos tribunais.”4
4 CORASSIN, Maria Luiza. O cidadão romano na república. Projeto História, São Paulo, n. 33, p. 282, 2006.
4 CORASSIN, Maria Luiza. O cidadão romano na república. Projeto História, São Paulo, n. 33, p. 282, 2006.
Os donos das terras sempre foram protegidos pelo estado, com morgadio, uma forma de proteger a sucessão das posses, onde o primogênito era detentor das riquezas da família e seria aquele que tomaria a frente dos negócios. Como descreve A. Smith, essa lei fora criada para impedir que a propriedade saísse da linha proposta de sucessão na família, a lei estabelece que mesmo a terra tendo sido doada, seja por legado ou por alienação, até na insensatez do dono ou até pelo infortúnio de qualquer um de seus proprietários sucessivos, a propriedade ainda deveria continuar nas mãos do herdeiro. E o mais interessante é que o morgadio era totalmente desconhecido na Itália, onde a leis de sucessão eram extremamente rigorosas, e uma das leis mais antigas do País. E muitos dos que arrendavam ou escravos, investiam pouco na terra, aplicando somente o investimento necessário para sua subsistência. “Antigamente, os proprietários de terras eram os legisladores em todos os países da Europa. Por isso, as leis sobre a terra eram todas planejadas em defesa daquilo que acreditavam responder aos seus interesses. Imaginavam que atendia a seus interesses prescrever que nenhum arrendamento feito por qualquer de seus predecessores os pudesse impedir de desfrutar, durante muitos anos, do valor integral de sua terra. A avareza e a injustiça sempre têm visão curta, e por isso foram incapazes de prever até que ponto essa lei impede que os arrendatários empreendam melhorias na terra, contrariando, assim, a longo prazo aos interesses do proprietário.”5
5 SMITH, Adam. A riqueza das nações: Investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultural, Coleção “Os Economistas”, 1996. [Livro 3, capítulos 1 a 4].
Um dos principais indícios de abertura comercial na Europa, tenha começado na Inglaterra, quando os rei começaram a permitir que os viajantes que passassem pelos seus domínios, pudessem comercializar dentro de seu reino, e a esses, não seria cobrados impostos de passagem, que em muito países da Europa, alguns reinos cobrassem de viajantes tributos para passarem, isso incluía também sobre os pertences por esses levados. Os burgueses começaram a se tornarem cada vez mais pertencentes à aquela região ao qual trabalhavam, e começaram progressivamente a adquirirem direitos, como darem as filhas em casamento, negociarem seus próprios pertences, e tudo que uma pessoa livre no real sentido da palavra poderia realizar. Os burgos que concentravam em grande parte, escravos emancipados e outras categorias de habitantes, consideradas inferior para o senhor feudal, eram constantemente desprezadas pelos senhores feudais, e assim os burgos também desprezavam os senhores, porém, as riquezas conquistadas pelos burgos, sempre causavam inveja, e muitas vezes, eram saqueados pelos próprios senhores. Os reis, segundo Adam Smith, odiavam e temiam os senhores feudais assim como os burgueses, levando o rei a apoiá-los conta os senhores feudais. E isso gerou uma troca, o rei lhes dava garantias e privilégios, podendo formular leis secundarias para o seu próprio governo, e os burgueses lhe ofereciam proteção, e com isso construíram muros e treinaram os habitantes dos burgos militarmente, e o rei lhes davam liberdade para negociarem e máxima independência, e esse apoio à burguesia permitiu que essa classe investisse no desenvolvimento comercial e manufatureiro.
Durante o período feudal, nunca se pensou em uma divisão do trabalho como forma de aumento de riqueza, na época, os juros foram considerados uma forma de pecado. Ao contrário do pensamento de A. Smith, o pensamento econômico era movido pelas imposições governamentais, e o povo tinha como regra as tradições econômicas como algo impossível de ser modificado. Porém, a independência das colônias juntamente com a revolução francesa, modificaram as estruturas políticas colonialista e absolutista, mas, as mudanças econômicas mudaram drasticamente devido à perda das colônias e o fim da mão-de-obra escrava, que levou a Europa se reestruturar nas práticas econômicas, resultando uma mudança na geração de riqueza, abandonando não só as ideias econômicas do feudalismo, do mercantilismo, mas também as organizações e estruturas sociais, consolidando esses pensamentos a partir do século XVIII.
A partir do século XVIII, Adam Smith tenta relacionar como essas mudanças estruturais ocorridas anteriormente, afetaram os meios de produção e a produtividade em seu tempo presente. Para ele, tais mudanças se moldam a partir das divisões de trabalho. Ele exemplifica que apenas uma pessoa produzindo qualquer produto possuiria um rendimento muito inferior comparado ao trabalho dividido entre muitas pessoas. Em seu livro ele traz a comparação de uma pessoa, que produz um sapato em três dias, em relação à muitas pessoas, ao qual cada uma é responsável pela produção de uma parte do produto, assim poderiam produzir mais sapatos e em um menor tempo, e essa era uma clara concepção de organização e divisão de trabalho.
A partir do século XVIII, Adam Smith tenta relacionar como essas mudanças estruturais ocorridas anteriormente, afetaram os meios de produção e a produtividade em seu tempo presente. Para ele, tais mudanças se moldam a partir das divisões de trabalho. Ele exemplifica que apenas uma pessoa produzindo qualquer produto possuiria um rendimento muito inferior comparado ao trabalho dividido entre muitas pessoas. Em seu livro ele traz a comparação de uma pessoa, que produz um sapato em três dias, em relação à muitas pessoas, ao qual cada uma é responsável pela produção de uma parte do produto, assim poderiam produzir mais sapatos e em um menor tempo, e essa era uma clara concepção de organização e divisão de trabalho.
E para A. Smith, quanto maior for o mercado, maior será a especialização do indivíduo na produção em determinada função e produto. Os indivíduos deveriam possuir um poder de troca em equilíbrio com a quantidade de riqueza ou valor produzido, e esse valor, deveria ser aceito popularmente, afim de que não houvesse exploração em cima do consumidor final. A moeda tornou-se um facilitador para os negócios entre produtores e consumidores, e o poder de troca é convertido na moeda, facilitando as relações entre ambos. A. Smith define o capital como uma forma de gerar rendimento, e ele caracteriza três subdivisões do capital; o capital imediato que é utilizado para o consumo imediato de bens básicos; o capital circulante que está ligado diretamente a compra e venda de produtos como forma de gerar lucro; e o capital fixo que é reinvestido na fábrica com o objetivo de aumentar a produtividade e seus lucros. Para Smith, os indivíduos agem em detrimento de seus interesses pessoais, como ele descreve, “agem de forma egoísta”, e estes são guiados por uma “mão invisível” do mercado, utilizando suas leis da “oferta e demanda”, e através do mercado que se é possível gerar o bem estar e equilíbrio em uma sociedade.
i SMITH, Adam. A riqueza das nações: Investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultural, Coleção “Os Economistas”, 1996. [Livro I, capítulos 1 a 3].
i Idem. A riqueza das nações: Investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultural, Coleção “Os Economistas”, 1996. [Livro 3, capítulos 1 a 4].
i ANTUNES, Jair. Adam Smith historiador das formas econômicas. Revista Tempo da Ciência. Paraná – Brasil. v. 14, n. 27 (2007).
i CORASSIN, Maria Luiza. O cidadão romano na república. Projeto História, São Paulo, n. 33, 2006.
i SMITH, Adam. A riqueza das nações: Investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultural, Coleção “Os Economistas”, 1996. [Livro I, capítulos 1 a 3].
i Idem. A riqueza das nações: Investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultural, Coleção “Os Economistas”, 1996. [Livro 3, capítulos 1 a 4].
i ANTUNES, Jair. Adam Smith historiador das formas econômicas. Revista Tempo da Ciência. Paraná – Brasil. v. 14, n. 27 (2007).
i CORASSIN, Maria Luiza. O cidadão romano na república. Projeto História, São Paulo, n. 33, 2006.
